BREVE ANÁLISE DO POEMA “IRENE NO CÉU” DE MANOEL BANDEIRA

20/06/2010 12:51

 BREVE ANÁLISE DO POEMA “IRENE NO CÉU” DE MANOEL BANDEIRA

 

Por: Charles Quirino

 

O texto em estudo: “Irene no Céu ” de Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho ou Manuel Bandeira, (1886-1968), poeta e ensaísta brasileiro que nasceu em Recife, Pernambuco. Desde 1912 começou a usar em sua poesia e o verso livre.  Tais  versos guiam-se mais pelo ritmo do pensamento como também pelas pausas próprias da entonação e da respiração

A obra é formado em versos ( total de 7 versos irregulares, possui duas estrofes, é um poema . Primeira estrofe tem 3 versos – com a palavra semelhante “Irene”. Na segunda estrofe possui 4 versos . Podemos encontrar o uso de travessões – que são características de uma narrativa ( diálogo )

O narrador fantasia a personagem Irene no céu, esta tem um pequeno diálogo com o terceiro personagem do texto, que é São Pedro:

Imagino Irene entrando no céu:

- Licença meu branco!

E São Pedro bonachão:

- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

 

Olhando ainda para a primeira estrofe não encontramos verbos, enquanto na segunda estrofe há presença de verbos. Sem os mesmos o segundo parágrafo perderia sua essência marcante. A linguagem é do tipo coloquial ( exemplo: banachão) .

 O foco narrativo é da primeira pessoa. O assunto ou seqüência dos fatos apresentados estão em sintonia com o tema, porque consiste na ideia de elucidar uma circunstância real e costumeira da época. Isso também é visto pela presença dos ideais religioso da igreja católica, isto é, a ideia do céu e de São Pedro como seu porteiro ou guardador.     

Há no texto interiorização de figuras familiares, conhecidas, dessa maneira é bem provável que a personagem “Irene” era alguém próximo da história de vida do autor. Percebi-se tal “intimidade” na medida que o narrador e personagem apresenta os fatos:

Irene preta

Irene boa

Irene sempre de bom humor (...)

 

 “Irene no céu”, é uma crônica já que se caracteriza pelo tom humorístico ou crítico, que aborda um tema do passado (discriminação racial) bastante culminante na época. Só para se ter uma idéia, a discriminação de raças nesta época era tão grande que era possível presenciar frases do tipo:  "Alugam-se quartos. Não se admitem pessoas de cor".

O tratamento de inferioridade dispensado a uma pessoa ou grupo de pessoas por motivos raciais, religioso, político, entre outros na época era constante. O pobre, o negro, o necessitado, parecia que não tinha lugar privilegiado nas classes sociais , imagine no céu.  

A dialética aplicada pelo autor é simplesmente, a meu ver, um grito de justiça e de lição a favor dos pobres e necessitados. No jogo de palavras do texto, encontramos implícitas ou explicitas as oposições da vida: Preto e o branco, o rico e o pobre, o céu e o inferno, o mal e o bom e o conhecido e o desconhecido.  A personagem “Irene” é uma tipologia do tipo de pessoa da comunidade pobre:

O texto elucida uma verdadeira lição de moral : “ Irene” era pobre e preta, mas tinha valores que em muitos ricos e brancos não se encontravam: era boa e bem humorada, era do bem, e por ser tão intima foi bem recebida por São Pedro. Ganhou passagem ao céu.

 

Abraços

 

O Autor


Pensar é conhecer! Conhecer é viver!